Como detectar potencial de
comportamentos suicidas

Transtornos depressivos podem aparecer de diversas maneiras, em diferentes intensidades e estágios para cada indivíduo. Por isso, nunca podemos entender que todo e qualquer caso de depressão irá gerar pensamentos ou comportamentos que incitem ou estejam relacionados ao suicídio.

Entretanto, sempre há a chance de um quadro evoluir rapidamente, principalmente se não tiver o devido cuidado por meio de terapia ou outros tratamentos.

Como provavelmente o indivíduo com depressão não irá falar a respeito desses sentimentos, ou às vezes nem sabe que está em uma situação tão delicada, é importante conhecer os principais sinais de que há potencial para tentativas de suicídio ou pensamentos nesse sentido.

Transtornos mentais e o suicídio

Entre os transtornos mentais, a depressão é um dos mais conhecidos e discutidos, sendo considerado pela OMS a segunda causa de incapacidade mais importante no mundo. Além disso, é ela que está, em grande parte das vezes, ligada a tentativas suicidas ou ao suicídio em si.

No entanto, não é só ela que pode gerar os comportamentos e pensamentos focados em morte e em tirar a própria vida. Há também o Transtorno Afetivo Bipolar, o uso e dependência de álcool e substâncias, a esquizofrenia e os transtornos de personalidade, como o Borderline.

De acordo com a OMS, 90% dos suicídios poderiam ser evitados se as intenções fossem notadas com antecedência. Por isso, é importante levar em conta sinais específicos para detectar possíveis pensamentos suicidas, que nem sempre estão ligados aos sintomas já conhecidos da depressão.

Veja alguns dos principais, que você pode identificar em amigos, familiares e pessoas próximas, ou até em si mesmo (em forma de desejo, inclusive):

  • descuido com a aparência e ausência em compromissos;
  • mudanças muito grandes nos hábitos, principalmente se envolverem irresponsabilidades como uso excessivo de substâncias e álcool;
  • isolamento social (inclusive nas redes);
  • piora no desempenho acadêmico/escolar ou no trabalho;
  • doação de pertences com muita frequência;
  • perda de interesse por atividades (mesmo as que gosta);
  • pouca expectativa pelo que há no futuro;
  • comunicação com frases depressivas, que lembram morte, como “preferia morrer”, “quero desaparecer”, “esse mundo ficaria melhor sem mim”, “não quero mas acordar”, “vou embora e deixá-los em paz”;
  • falas frequentes sobre falta de sentido em viver ou aproveitar a vida;
  • preocupação constante em solucionar problemas, como pagar contas, resolver brigas e afastamento com amigos ou membros da família;
  • melhora súbita nas crises depressivas, que podem significar que a pessoa já se conformou com o suicídio e está certa disso, principalmente se não faz tratamento.

Além disso, há também fatores que devem ser observados com atenção, que envolvem acontecimentos ao longo da vida:

  • perdas recentes que tenham impactado fortemente o indivíduo;
  • agressões físicas ou psicológicas (frequentes ou não), que podem gerar traumas;
  • demissões;
  • términos de relacionamento.
Caso você se identifique com alguns desses sinais ou conheça alguém que se encaixe, e as conversas parecem não ter mais o efeito esperado na melhora, busque ajuda profissional, tanto na terapia quanto na psiquiatria.
É importante compreender o suicídio e o que leva a ele. E falar sobre o problema é o primeiro passo para evitá-lo!